Resumo
O progresso tecnológico é sem dúvida o aspecto mais visível
de um movimento que faz a apologia da emergência de uma nova sociedade
pós-industrial. E a conseqüência mais inquietante desse progresso
foi a transformação do ser humano em um predador voraz da natureza.
Esse cenário crítico impõe ao pensamento humano fundar-se
em um realismo utópico que impregne a razão utilitarista de discernimento
planetário. Ao separar a Noosfera da Biosfera, o racionalismo utilitarista
coloca em risco a vida do Planeta. A consciência planetária, fundada
em um realismo utópico, nutre a capacidade humana para propor soluções
inéditas aos novos problemas que o fator tecnológico produziu.
A ética passa, assim, a construir conexões planetárias — mas
nem por isso menos humanas —, baseadas na responsabilidade a priori e a
posteriori pelas conseqüências da intervenção da
Noosfera na Biosfera, e pelas quais pagaremos todos, se já não
estamos pagando, o preço da própria possibilidade de seguir existindo. |